Desde os meus tempos de blogueira, as pessoas me enviam tudo que criadores de conteúdo publicam sobre joias. Vai de anel de noivado de influencer até as oscilações do valor do ouro no mercado internacional. Sou desde sempre uma pesquisadora. Tudo é fonte.
Tudo é fonte mesmo, inclusive as mais equivocadas. Nunca se sabe tudo sobre um assunto. Vale a pena dar uma conferida. Assim, frequentemente, descubro novos joalheiros, autores especializados, marcas, ferramentas e ideias que nunca tinham caído no meu radar.
Quando a ideia é muito louca, eu acabo me divertindo. Confesso que às vezes vou até a fonte da bobagem, para entender o brilhante encadeamento de ideias. É sempre genial. Ah, as fontes… Chego ao requinte de ter uma pequena área maldita na minha biblioteca. Ela é composta de catálogos e livros de onde emanam coisas dignas da torneirinha de asneiras da Emília. (Muito antiga a referência? Aceito outras sugestões.)
Tudo isso para dizer que estou recuperando meu crachá de blogueira. Lá em priscas eras – sim, eu reciclo palavras e expressões também! -, as blogueiras tentavam não passar vergonha. Falavam do que entendiam. E um pouquinho de estilo de vida. Ainda não havia o ódio institucionalizado, porém já havia receio de provocar ondas descontroladas em sua direção. Começava o anonimato nas redes e o resto é história…
Tudo mudou muito rápido. Agora existe a criação de conteúdo. Há pessoas que dão sua cara a tapa e criam conteúdos para publicação. São especialistas em suas áreas, sabem do que estão falando e sabem se estabelecer nas redes. Do outro lado, são as pessoas com todos os truques de comunicação e presença soltando bobabens com muita autoridade.
Também tem um monte de empresas que criam coisas genéricas e de fonte duvidosa para vender para quem não quer ou não tem condições de cuidar de sua presença online. A lona já está estendida para o que vem em seguida: um circo de vexames. Esses conteúdos são publicados sem nenhuma conferência e fica muito divertido assistir a pessoa compenetrada falando bobagem.
Agora esse serviço foi para um novo patamar com a entrada da inteligência artificial nesse circuito. A pesquisa se amplia globalmente. As fontes são impossíveis de identificar pelo embaralhamento de ideias. A crença na tecnologia, confundida com pura cientificidade, dá o tom do que vemos. Se o prompt entregou isso, está certo.
Estamos perto de não atribuir autoridade ao estudioso que apresenta suas fontes verificadas, explica a forma como o conhecimento se construiu, revela as falácias. Como tem um monte de gente falando qualquer nota por aí e com um alcance incrível, quem vai questionar o que é dito?
Como você pode convencer alguém de que talvez, apenas talvez, seja preciso dar uma conferidazinha antes de sair reproduzindo certas coisinhas por aí?
Vou blogueirar como sempre fiz, confiando no possibilidade de garrafas lançadas ao mar chegarem até os interlocutores certos, abertos e disponíveis. Sempre desconfiada das fontes e sempre atenta às possibilidades. E um pouquinho ranzinza para complicar.
Quem vem comigo?


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